Ao ler a frase de Seth Godin num post no LinkedIn que dizia: “As pessoas não compram bens e serviços. Compram relacionamento, histórias e magia”, nasce a reflexão da importância de empresas se atentarem a essa lógica de consumo atual.
Em meio a transformações digitais, disrupção e crescimento exponencial, algo não muda na sua essência: ainda há por trás das transações comerciais seres humanos, que anseiam por se relacionarem com outros seres humanos.
Se formos desmembrar em 3 fragmentos a frase do Seth, busca-se 1) Relacionamento; 2) Histórias e 3) Magia. E essa pode ser uma resposta para muitas empresas sobre a forma que conseguirão atrair não só novos clientes, mas também novos fornecedores, colaboradores e parcerias.
Relacionamento, em 2024, deve ser pautado pela verdade e transparência, tal como qualquer relacionamento deveria ser. Empresas que não olham com atenção para o seu cliente, comprometendo-se em entregá-lo o que está mais próximo ou além das expectativas, está fadada a, pouco a pouco, verem essa relação esfriar e, culminar, numa rutura.
Relacionar-se com o consumidor desta presente década significa retirar as barreiras que existem entre “vendedor” e “comprador”, aceitando estarem do mesmo lado em prol de terem a suas necessidades atendidas. Se a ótica da empresa for a mesma ótica do consumidor, a oportunidade de a relação chave-fechadura ser a mais acertada possível, cresce substancialmente.
E, sobretudo, relacionamento é doar-se! Percebe-se que consumidores quando, de fato, relacionam-se com as marcas que acreditam tendem a se doar de forma irrestrita através do tempo, recomendação, testemunho e conteúdo. Cabe, portanto, às empresas assumirem postura semelhante diante dessa relação
Quando o ponto de convergência entre empresa e consumidor é histórias, a atenção por parte das marcas tem que estar ligada com a construção de narrativas. Desde a Bíblia aprendemos que é mais fácil ensinar e aprender por parábolas, contando históricas. Com o consumidor essa verdade segue forte e eficaz.

Toda a vez que ouvimos uma história além da questão imagética, que é inerente ao ser humano, a construção de laços se dá quando tentamos nos perceber parte, ou não, da história que está a ser contada. Com isso, contar histórias reais, principalmente que relacionem o consumidor com a marca, é mais que uma estratégia de ‘marketing’ testada e aprovada. É uma forma de fortalecer o relacionamento e criar pertencimento, por que o consumidor poderá se perguntar “faço parte ou não da moral dessa história?”
Histórias tem a capacidade de tornarem a relação entre marca e consumidor algo mais tangível, mais palpável, mais humano, menos artificial ou uma mera relação comercial de “eu vendo e você compra”.
E, por último, mas longe de ser menos importante, justamente o contrário, a magia é o suprassumo da relação marca X consumidor. A magia pode levar o consumidor a diferentes espaços e estágios. Magia pode remeter a um universo Disney onde tudo é possível, onde a mágica acontece, basta acreditar. E, principalmente, magia leva um consumidor a encantar-se de forma tão pueril quanto genuína
O poder que a magia tem é de despertar o encantamento, e o encantamento tem o poder de criar memórias, de transformar pequenas coisas em grandes experiências. Grandes experiências levam o consumidor a registarem na sua mente e, porque não coração, um momento, um produto ou um serviço de forma indelével, no mesmo departamento das memórias afetivas.
O preço pago ao se criar essa magia e encantamento está em sustentar esta sensação em todos os momentos de contacto com a marca, afinal gerou-se uma memória, que será acessada sempre que necessária.

Marcas que tem não só o propósito como a preocupação de criar serviços e produtos que geram essa magia, tem a consciência da importância do relacionamento e das histórias. Esses três atributos, brilhantemente colocados, pelo importante autor e orador estadunidense que fala sobre negócios Seth Godin, é um possível caminho para marcas pensarem a sua relação com o seu cliente e consumidor. Evidentemente, que há muitos desdobramentos em cada um desses posicionamentos aqui colocados, mas, indubitavelmente, é um caminho seguro que pode gerar grandes resultados.

